quarta-feira, 13 de maio de 2015

Ele veio sem muita conversa, sem muito explicar.....


Ele veio sem muita conversa, sem muito explicar..... 

Era 3,4 horas da madruga de um dia entre 1958/1960 quando ele chegou, eu não sabia quem era, mas com a liberdade que mandou em nós, devia ser algo nosso. Queria que eu vestisse um bermudão azul, (ja tinha me obrigado a vestir uma horrorosa camisa xadrez) me recusei e recebi 2 palmadas que me fizeram vesti-lo, as únicas de meus pais na minha vida, já que me criei longe deles! 
Entramos num carro e ele o dirigiu com a mesma irresponsabilidade com que dirigia a sua/nossa vida, a ponto de uns 100 metros a frente metê-lo num buraco. A prôvidência divina mandou-nos um porre que nos ajudou a sair, chegando em cima da hora na Rodoviária. 
Enquanto a voz suave da locutora dizia: 
Vá e venha pela Penha, entravamos no mesmo, sendo colocado lá no fundo em cima do motor, já que não tinhamos direito a poltrona. Demos Tchau a nossa mãe através do vidro, e áquele que depois viria saber ser meu "pai, sem sentir nada, pois estávamos acostumados a separações diárias por força do trabalho de nossa mãe! 
Chegamos a Mafra-Santa Catarina as 6 horas da manhã, um dia ou 2 de viagem e um desconhecido motorista de táxi nos apanhou e levou-nos á casa de nossa tia Anita. 
Recepção com a vizinhança toda presente ja que gemêos naquela época era raro e tivemos que trocar de roupa, constrangidos, ali em frente de todos. 
Minha infãncia foi boa enquanto meu "pai" bancava a tia, depois que ele parou virei escravo, e o fato mais marcante além de passar os domingo ao lado da mesa de jogo comprando cerveja e cigarro, foi o de ter que usar os sapatos 43 de meu tio José várias semanas, isso com 13-14 anos. 

Meu tio José era um pouco escuro demais para o padrão familiar e talvez por isso pouco participava das festas familiares, inclusive a maior, a natalina. Sua mulher, Tia Edwiges também era quase invisível, aponto de eu ter ficado 2 meses em Rio Negro e só tê-la visitado no último dia, oque a deixou muito triste. 
Me lembro que tio José chegando de viagem ia visitar minha tia, antes de ir para casa. Tia Anita ficou muito feliz e mandou-me comprar 5 pães a mais. 
Cheguei com a encomenda quentinha, ja era umas 3 horas e nada de o Tio chegar, resolvi comer um enquanto estava quente, cortei-o, passei manteiga nos 2 lados que se espalharam generosamente douradas, espalhei 2 colheradas de mel de abelha rainha, fechei o apetitoso sanduba e dei a 1ª mordida: 
Aleluia, oh glória! 
Saboreei-o hávidamente temendo ser descoberto, embora fosse direito meu, ja que estava passando da hora do lanche diário. 
Resisti heróicamente para não comer o 2º enquanto ouvia as lombrigas gritando: 
Mão de vaca, manda mais um, judeu! 
A carne é fraca, confirmei que titia roncava na sexta diária e mandei pra dentro o 2º! 
Estava aberta a porteira, a caixa de Pandora que liberou de saída a Fome, ou ela me matava ou.... 
Era guerra, não fiz reféns, assassinei uns 8 franceses, como era chamado na época aquelas "coisinhas fôfas", e só parei quando ouvi o motor do carro do Tio José encostando na frente de casa. 
Mesmo movido a pão consegui escalar a parede de casa sabe Deus como, indo me aboletar em cima do telhado, no ouvido a musiquinha: 
Daqui não saio, daqui ninguém me tira! 
O telhado ficava em cima da dispensa e deu para ouvi-la exclamar ao abri-la: 
Mas não é possivel! 
Tempos depois ela se vingou, precisei de sapatos e ele me deu o do Tio José uns 4 números maior! Estudava num colégio com uns 50 alunos e eu com aquele sapato do Bozo. 
Me recusei a voltar para a casa nos sábados seguintes, já que era uns 10 km de pernada atravessando a cidade inteira, depois das 10 horas da manhã, hora que começava a dispensa! 
Estranhamente minha Tia Anita criou 3 filhos de uma outra família que morava apenas 500 metros de sua casa. 
Quando cheguei só tinha o "primo" Osmar, já tinha passado o "primo" Altair, mais tarde chegou a "prima" Ivone. Ivone criada a moda antiga para ter um bom casamento, conseguiu. 
Casou com um bancário e na vinda para o Rio de Janeiro meu "pai" levou-me para vê-la na sua nova casa. Nos recebeu deitada num baby doll e nos serviu café em bandeja de prata com xicrinhas, idem. Detestei-a e áquela frescura toda até porque meu "pai" insistiu em me comprar um sapato para vê-la. Quem diria, aquela que era filha de criação tinha esquecido o passado dela. O "primo" Osmar criado a pão de ló enquanto este legítimo sobrinho aqui era o Gato Borralheiro da familia, não quis nada com serviço indo parar até na cadeia! 
E nos 4 anos que vivemos juntos minha tia insistia que eles fossem visitar seus pais, é só me lembro de uma visita: 
Quando o pai deles morreu! 
Velório na época era movido po 4 cs: 
Café, cachaça, cigarro e contar causos! 
Não entrei para ver o caixão, mas na saída tive a nítida impressão de ver um vulto me seguindo, talvez porque a casa fica a uns 300 metros do tão temido cemitério! 
Resumindo: 
Uma adoção com amor substuitui qualquer mãe ou pai legítimo! 
Fecho com esta música do Rei! 

120...150...200 Km Por Hora 
Roberto Carlos 

As coisas estão passando mais depressa 
O ponteiro marca 120 
O tempo diminui 
As árvores passam como vultos 
A vida passa, o tempo passa 
Estou a 130 
As imagens se confundem 
Estou fugindo de mim mesmo 
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado 
De tristeza, de incerteza 
Estou a 140 
Fugindo de você 
Eu vou voando pela vida sem querer chegar 
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar 
Vivo, fugindo, sem destino algum 
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum 

O ponteiro marca 150 
Tudo passa ainda mais depressa 
O amor, a felicidade 
O vento afasta uma lágrima 
Que começa a rolar no meu rosto 
Estou a 160 
Vou acender os faróis, já é noite 
Agora são as luzes que passam por mim 
Sinto um vazio imenso 
Estou só na escuridãoA 180 
Estou fugindo de você 

Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar 
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar 
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim 
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim 

O ponteiro agora marca 190 
Por um momento tive a sensação 
De ver você a meu lado 
O banco está vazio 
Estou só a 200 por hora 
Vou parar de pensar em você 
Pra prestar atenção na estrada 

Vou sem saber pra onde nem quando vou parar 
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar 
Às vezes, às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim 
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim 

http://www.youtube.com/watch?v=WKASJTeu_MQ 

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