quarta-feira, 13 de maio de 2015

Era o cão chupando manga! Viver é melhor que sonhar? Polícia para quem precisa de polícia??????

 

Era o cão chupando manga! 
A empresa de serviços temporários Partime me proporcionou trabalhar em várias empresas 
conhecendo inúmeras pessoas inclusive meu 2º pai: 
Doutor Paschoal Granato! 

Mas esse que vou relatar me é de péssima lembrança! Era uma loja de fabricação e venda de jóias pertinho da Rua Bolivar em Copacabana (Rio de Janeiro) e cujo fundo era na rua da Feira Livre. Entrei lá com um pé atrás porque sabia que o dono sabia aonde eu morava: 
Morro dos Cabritos! 

Ou seja: 
Era reconhecidamente pobre trabalhando entre kilos e kilos de jóias caras e pedras brutas, principalmente esmeraldas! Estava limpando a sala do dono que aparentava ser alemão, austríaco ou similar, quando entrou na sala um funcionário lapidador. 
Viera pedir um vale pois a filhinha estava muito doente. 

O "alemão" negou com excessiva rispidez em se tratando de uma pessoa que lhe trazia lucro. Em cima da mesa uns 3 kilos de esmeraldas recém negociadas. Desespero total no funcionário que repetiu o pedido chorando copiosamente. Eu sabia do que ele estava falando, sem dinheiro para taxi ou ônibus para levar o filho doente no hospital! 

O freezer ambulante dispensou-o sem um respingo de piedade! 
Era o Cão chupando manga! 
Fiquei arrasado e decidi que deveria denunciá-lo ao Simon Wisenthal, o caçador de Nazistas. Odiava ter que trabalhar para esse Cão Raivoso mas na verdade meu trabalho consistia na limpeza diária que durava de 2 a 3 horas e possíveis entregas, umas 3 nos 3 meses que lá estive. 

Aí ele inventou que eu tinha que limpar o apartamento do irmão dele. Já fui vítima do amor a 1ª vista, mas neste caso foi aversão a 1ª vista. O irmão tinha uma cara de tarado/depravado que dava arrepios. Fui para o seu apartamento rezando! 
Ficava ao lado dos "inferNinhos" do Lido e são vários os casos de pessoas que ao ouvirem: 
Ou dá ou desce! 

Resolveram pular ou foram jogadas lá de cima. Girei a chave lentamente evitando fazer barulho e entrei. Dei azar, era meu dia de "entrar na banana", pois ouvi um barulho. Arrolhei meu rabo mentalmente e entrei determinado, pois se fosse preciso viraria super homem e voava lá de cima, afinal quem gosta de banana assim é macaco! 

Dei de cara com uma mulher nua sentada numa cadeira. Era de plástico (horrorosa) de 1,60 por aí e só tinha um buraco pouco abaixo do umbigo! No ambiente só havia uma cama de casal e uma mesa com cadeiras. O barulho vinha de dentro de um gigantesco armário e com os batimentos a 120 abri umas das portas. Ela dava para outra porta que aberta revelou a origem do barulho. 
Era uma cozinheira lavando louças! 
Ela então abriu uma outra porta do armário que dava para o banheiro e me indicou o serviço: 
Lavar a banheira daquele porco chauvinista! 

Comecei o meu e ela terminou o dela e se mandou. Segurei na mão de Deus e me propus a não abrir a porta para ninguém, nem para o dono. Sorte que ele não apareceu e também nunca mais me pediu para voltar lá. Diariamente eu gastava 2 a 3 horas na limpeza (possa garantir que é dureza para uma pessoa inteligente) e depois me pendurava na janela da sala de lapidação e via o dia passar! 

Melhorava na quinta feira pois era dia de Feira Livre. Umas das barracas de bananas ficava embaixo de minha janela. O dono contratou um ajudante que chegava depois das 8:00 para ajuda-lo na hora do rush. Derepente algo me chamou atenção: 
Ele atendia a freguesa, recebia o dinheiro e se o dono da barraca não estivesse olhando, enrolava uma nota de 5,00 ou 10,00 nos jornais velhos que vinham nos caixotes de bananas fazendo uma pequena bola e jogava embaixo da barraca! 

É regra entre os feirantes jogar frutas e verduras amassadas ou estragadas embaixo da barraca aonde ninguém passa, portanto não pisa! Aí 2 garotos de 6/7 anos mergulharam embaixo da barraca adubada para pegar as frutas aproveitáveis. O experto vendedor temendo que eles revelassem seu "segredo" expulsou as crianças, me deixando revoltado, ja que elas me relembraram meu passado. 

Aquele filho duma fruta ganhava mais do que o patrão: 
Ganhava a diária, oque roubava e 20 a 30 lotes de bananas que o patrão deixava para ele depois que ia embora la pelas 13:00! Na outra quinta feira amanheci com o dedo mais duro que o coração do meu patrão e dei uma de Salomé: 
Entreguei de bandeja o patife! 
Depois desse dia ele não trabalhou mais e eu trabalhei preocupado, afinal ele via que eu via toda a patifaria! 
Sigam-me os bons! 

Viver é melhor que sonhar?
 
Quem viveu nos morros do Rio de Janeiro antes da tal FdP-Força de Pacificação, sabe o terror que era uma blitz policial. A coisa só diminiui com a eleição de Brizola que proibiu os policiAis de prenderem só para cumprir tabela de eficiência! 

Aí os vendedores e traficantes de drogas arrumaram amigos e conhecidos com pequenas empresas e viraram "empregados" dos mesmos. Quando a patrulha vinha eles não corriam mais. Bem documentados e de carteira assinada, desafiavam a lei sem medo. 
Foi assim que o Rio virou oque é hoje! 
Aí quando um capetão e um cabo confiscam o produto do assalto de 2 latrocidas do presidente do Afro-Reggae e não os prendem, voçe se pergunta: :) 

Polícia para quem precisa de polícia?????? 
Este fato que narro aconteceu na década de 80 mas só agora que eu entendi! 
Estava feliz, tinha acabado de sair do emprego e ia depositar os papéis do fundo de garantia no banco da Rua Gomes Freire na Lapa. Era um endereço contra mão pois ficava a quase 1 km do ponto do ônibus. 

Na época a rua era excessivamente arborizada, tornando-se escura mesmo no dia mais ensolarado! 
Os casarões velhíssimos e desbotados davam a nítida impressão de que nesta rua morava o Drácula. Saí do banco que por sinal era a menos de 100 metros da delegacia, umas 11:30 e ja distante uns 200 metros senti um toque. 

Um senhor passa raspando por mim e deixa cair um pacote de papel vegetal, (transparente) aonde pude ver uma nota de 50,00! Nem deu tempo de me abaixar para pega-lo pois logo um outro senhor de casaco de couro de motoqueiro apanhou-o e me convidou para dividir! 
Eu macaco velho do Morro dos Cabritos não iria cair nessa: 
O conto do paco! 

Enquanto o "perdedor" do pacote dobrava a esquina eu e o do casaco atravessamos a rua. Eu tentando me livrar do meliante tornei a atravessar mas ele me seguiu. Não tremi, sabia oque ele queria e eu não tinha: 
Dinheiro! 
Abri o jogo e mostrei para ele a papelada que dava entrada no processo de recebimento. 

Ele sentiu que tinha entrado numa canoa furada e voltou. Acompanhei-o com o olhar e pimba: 
Vinha atras de mim o senhor que tinha "perdido" o pacote! 
Gelei: :) 
Se eu não quissesse cair no conto do paco, cairia no arrastão! :) 

Hoje me pergunto: 
Porque aqueles 2 podiam dar golpes tranquilamente a 100 metros da delegacia? 
Resposta fácil: 
Eram policiAis fazendo hora extra para faturarem algum por fora! 

Cidade Maravilhosa 
beleza que nos seduz 
de dia falta agua 
de noite falta luz!

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