Meu 1º emprego!
Dei azar na minha vida de muitos empregos, pois meu 1º foi na Casa Marú, perto da Djalma Ulrich, a 100 metros da Praia de Copacabana. Saía de casa 5:00 da madruga e chegava 23:00 e não tinha folgas semanais. Foram 3 meses nesse martírio. Fazia entregas e numa delas, era num apartamento de 3 rapazes na Djalma Ulrich. Me descobriram e logo fizeram o 1º pedido. Atendi, levei a encomenda, me convidaram para entrar e leram na minha testa:
Sou Boy! (garoto de programa)
Saí na certeza de que levava uma pedra no meu sapato. No outro dia trabalhei apreensivo, cada vez que o telefone tocava eu pensava;
São eles!
Umas 21:00 a prova de fogo, levar uma encomenda na DjALMA Ulrich!
Sabia que a parada era dura e se fraquejasse não teria mais sossego, conhecia inúmeros casos de violência contra "garotos de programa", (Boys).
Toquei a campaínha e a recepção esperada:
Luz de boate, 2 só de cuecas, no meio da sala um projetor rolava um filme e o recepcionista enrolado numa toalha, disse-me doce e lânguidamente:
Entre meu jovem!
Meu esfíncter contraiu-se horrívelmente e eu...
Não precisa é só entregar, respondi.
Sim, sim, coloque ali na mesa!
Me dirigi a tal mesa e ouvi o som da porta se fechando, e as 2 ratazanas encuecadas aproximaram-se:
Não queres um copo? (era refrigerante) Não queres ver o filme? perguntaram.
Não, não, a loja já esta fechando, disse-lhes apavorado!
Nisto o peste entoalhado na minha costa, coloca a mão no meu ombro e fala:
Calma garoto, nós só queremos....
Lembrei de minhas aulas no meio da malandragem no Morro dos Cabritos e pensei:
Ou dou uma dura nesses vagabundos ou perco a parada.
Voçes vão ou não vão querer essa mérda?
Se vão me dêem logo a ...ôrra do dinheiro, que eu tô com pressa ...aralho!
Vendo que desse mato não saíria CUelho, me liberaram e nunca mais pediram nada. Descobriram que além de extremamente bonito, (desculpe-me Bry, mas tenho que vender o meu peixe) eu era muito mal educado. E mais que eu não era Boy, (garoto de programa) e sim Boy, (ou como se falava no cinema: Buoy)
o Filho do Tarzan!
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Um Picasso?
Trabalhei numa boutique da Djalma Ulrich prum casal mão de vaca, aí limpava a boutique e depois tinha que limpar o AP. La encontrei a cozinheira doida pra me comer, e também um fabuloso quadro em cubismo de um grupo de sambistas, tipo portinari. Amei e me enamorei do quadro, passei a limpar o Ap matando mesmo, pra poder desenhar o quadro. A cozinheira ali, marcando em cima.
Ela dizia:
Vem!
E eu:
Ja tô indo!
Nunca fui.
Até hoje ela deve estar pensando, como um quadro pode valer mais que uma Bimbada!
A cozinheira não era uma Gisela, mas um ser humano penetrar outro na base do: vou, mato e volto, não é minha praia.
Tem que ser um casca grossa para fazer de um ser humano apenas um deposito de gala.
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