Quem tem um, não tem nenhum!
"Em alguns lugares é assim: joga-se no lixo a tradição, a história, a luta, o ideal e a vergonha". (Prof. MEIREVALDO PAIVA, in O LIBERAL, Belém-PA, 22/05/1994)

O barraco ainda por terminar e minha mãe, a direita a fossa do futuro "banheiro", a esquerda o belo e limpo "terreno da Vizinha"!
Assim que chegamos na Cidade Nova 6, na WE 61 casa 511 em agosto de 1986, tratamos de procurar a Cohab - Companhia de Habitação do Pará conforme nos fôra instruído pela Profa. Livramento da cidade de Vigia, parente do então deputado Domingos Juvenil.
Com um bilhete dela, meu irmão procurou em 1987 na COHAB seu marido (ou cunhado) João Nunes, que o remeteu para o comitê eleitoral do citado político. Esforço em vão, a casa ficou só na promessa. Após essa 1ª derrota e já inscrito (Nº 59.102 -09/10 /1986) na dita cuja Companhia optamos por tentar conseguir um terreno na mesma, pensando ser muito mais fácil e barato!
Catalogamos uma boa dezena de "pontas de quadra" ao lado das casas feitas, (havia/há também dezenas de casas abandonadas) e partimos pra luta. Fomos recebidos na Cohab por Regina Carepa (e Lucilene Farinha do Departamento de Projetos) do Departamento de Urbanismo que, de boa vontade, nos abriram um mapa para que localizássemos os terrenos pretendidos, pois não saiam da Cohab. Foram várias visitas à Estatal -- com 5 a 10 novos espaços apresentados a cada ida -- todos negados e nesta altura do campeonato, elas já estavam de "perereca cheia" e nós achando que tinhamos entrado no estabelecimento errado. Um dos terrenos ela nos ofereceu, seria no futuro bairro PAAR, até aquele momento apenas com as ruas feitas, postes de luz e, isolado no meio da imensidão, o espaço coberto da futura Feira do PAAR. O pagamento seria (caso aceitássemos) em 12 prestações sendo -- hipotéticamente falando -- a 1ª de 100 reais, a 2ª de 300,00, a 3ª de 500,00 e assim sucessivamente.
Calculamos que na 5ª prestação estaríamos andando pelados, pois esta probosta só quem pagava era comerciante, nenhum assalariado conseguiria! (protocolo nº 1865/90 de 12/12/1990)
Continuamos a encheção de saco e de repente surge um milagre:
Da. Regina Carepa dera através destes 2 pobres coitados sem QI nem Sobrenome -- 2 requisitos importantíssimos para se conseguir algo aqui -- um Mapa com 40 (repito) 40 pontas de terrenos ou áreas verdes, no dizer dela, para a Prefeitura de Ananindeua!
Foi marcada a entrega do mapa e, quando falamos com o prefeito, ele bateu com o punho na mesa e disse ao Secretário de Obras da PMA, João Luís Tavares:--
"Vá lá e dê um pedaço de terra pros rapazes, nem que seja na Arterial 18!
(A avenida mais importante do nosso bairro Cidade Nova,)
Marcado o dia e hora da entrega, nós um pouco pessimistas pois o destino nós pregara varias peças na vida, chegamos primeiro e pouco depois chegava o dito cujo Sectário de "Obras", indo direto para a sala de D. Regina Carepa. Pouco depois entrou na nossa sala, mal sentou "armou" um bate-bôca, disse que ia conversar com gente civilizada e saiu, deixando-nos boquiabertos.
Ih agora? pensamos.
Tinhamos ido lá apenas repassar o mapa para ele escolhendo uma, eu disse uma das 40 áreas conseguidas!
Meu irmão procurou o Prefeito e relatou o ocorrido, mas ele fez ouvido de mercador e assim.......
Tempos depois passando pela tal Arterial 18, vejo Da. Regina Carepa ladeada por 2 senhores, um deles era/é o funcionário da Prefeitura e apontador/contador de cargas dos caminhões de lixo particulares que trabalham para a mesma, e o outro era/é o invasor de um terreno ao lado do hoje supermercado Portugal. Cheguei a tempo de ouvi-la falando:
Voçe não pode ficar aqui pois esta area ja foi negociada!
Não só ficou como esta lá até hoje e se candidata junto com o Piauí, ( está na área da Caixa Econômica Federal e pasmem, ja recebeu o título da terra em menos de 10 anos pela Prefeitura Municipal (
conforme propanga oficial sem ter pago 1 real pela terra ) como os invasores mais bem sucedidos do municipio! Descobri muitos anos depois que a Cohab só tem 49% de direito sobre as áreas que constroe dentro do município e como ele possivelmente era apadrinhado do apontador......
Na We 61-511 a felicidade bateu 2 x na minha porta, fui atender na porta da frente, mas era na de trás, por isso a perdi. Moravamos nesta época aonde é hoje o Shoping Japonês e a 1ª oportunidade deu-se com a casa do vizinho ao lado, um jovem de 16-18 anos, que morava sózinho numa Unidade Sanitária, espécie de "casa" de 3,5 metros de comprimento por 7,5 de largura, com 2 portas e uma janela, divida em quarto e cozinha separados por um banheiro, sem rebôco interno nem externo e uma mão de cal á guisa de pintura.(Acredito que 80% das casas construídas pela Cohab aqui nas Cidades Novas foram Unidades Sanitárias!) O filho se meteu com más companhias e a mãe, temendo o pior, vendeu a "casa" a preço de casca de banana, provavelmente para o Supermercado Pioneiro, ao lado da mesma!
Mais tarde ela (a felicidade) bateu de novo, desta vez na porta da frente!
Estávamos morando na Cidade Nova 6, depois de termos abandonado nosso sítio no interior do munícipio da Vigia - Pará, por termos brigado com vizinhos, tentando fazer a divisão do terreno, mas deixamos uma coisa boa lá: Um mapa com alguns vizinhos que poderão brigar com o demônio que lá habitava e que foi a causa de nossa fuga! Estávamos na WE 61-511 tranquilamente pagando um irrisório aluguel a um amigo de nosso irmão -- este "amigo" acabou ficando com nosso sítio de 110 metros de largura por 3 km de comprimetro, depois de fazer um muro em volta da casa do sítio.
Foi a "compra" mais barata do mundo --quando de repente chega o dono querendo vender a casa em até 3 x, a um preço muito bom para nós pois ele morava no Maranhão e não podia vir sempre a Belém. Consultamos nosso irmão, que mandou "enrolá-lo", possivelmente tentando baixar mais o preço. Não achamos correto mas, como erámos dependentes dele, acatamos.
Uns 3 meses depois lá vem o mesmo Sr, mas agora vem muito nervoso, possivelmente por já saber através do "amigo" do meu irmão e responsável pelos aluguéis, que nosso irmão ainda não tinha decidido comprar e, se ele quissesse despejar-nos, teria de esperar mais 6 meses, conforme manda a Lei, pra propriedade particular é claro!
Voltou para o Maranhão, não sem antes xingar toda a nossa geração!
Aquilo deixou-nos muito chateados pois temos uma formação Católica rígida, aonde o que é seu é, e o que não é, não é! Sabíamos que ele voltaria em breve e preparamos uma surprêsa para ambos:
Êle e nosso irmão!
Poucos dias depois voltou e ficou uma boa meia hora na baiúca em frente de nossa casa conversando com o vendedor e possivelmente "descascando a mandioca" na nossa família!
Aí veio, e veio com a língua afiada:
"Voçes são isso, voçes são aquilo"... e nós só ouvindo, eu, meu irmão e minha mãe.
Aí, ele fêz uma pergunta que nunca esperaríamos:
Quanto voçes querem para sair?
Nós, que já sabíamos que não era correto ficar empatando a vida/venda de ninguém, tinhamos feito contato com o Sr Wilson Camacho, para ficar por 3 meses na garagem aonde ele dava aulas de inglês e respondemos:
Nada! O Sr só paga o frete e nós saimos daqui (era meio-dia) umas 3 horas!
Às 15/16 horas entregamos as chaves ao provável dono, pois nunca pedimos nenhum documento e nos mandamos para mais uma "aventura" na nossa vida! (12/12/1988) O local era uma garagem ampla com apenas um balcão em forma de L sem banheiro, janela e água. Havia uma torneira no corredor externo razoavelmente escondida dos transeuntes da rua aonde tomávamos banho.
As necessidades fisiológicas faziamos atrás do balcão, num pinico e depois de devidamente ensacada, era "guardada" atrás da casa á espera do dia da recolha do lixo. Como a garagem era nossa moradia, de dia mantinhamos a porta corrediça apenas um metro aberta, para evitar que os pedetres bisbilhotassem nossa insólita moradia. As noites eram temidas pois qualquer necessidade feita, era mesmo que uma bomba de efeito moral na garagem sem janela ou no popular:
Uma "engasga gato"!
Bem antes de chegarmos a isto a felicidade tornou a bater, desta vez na janela, estava dormindo e quando abri já era tarde. Vendia uma quantidade imensa de jornais dominicais, que me obrigavam a retornar ao distribuidor para buscar a segunda parte, quando ía já estava a um quilometro do mesmo.
Aí, bolei uma coisa que tinha visto no RJ, que a Companhia Telefônica tem uns buracos na calçada com um tampão de ferro, aonde tem seus terminais telefônicos. Porque o distribuidor de jornal não deixava meus 120 jornais num local como esse? Nesta época eu pensava que a Cohab era a dona da Cidade Nova, tamanha a quantidade de casas que tinha aqui.
Então falei de meu plano para a Empresa de jornais que deve ter falado com a Cohab, pois recebi um convite para falar com D. Rosa, na sede Cidade Nova 4 da mesma. É claro que o pateta aqui não imaginava ser possivel se ter uma casa do Sistema Financeiro da Caixa sem os 2 salários mínimos no minimo, aliás sem ter nenhum salário!
Quando ela me perguntou oque eu queria fiquei sem saber oque dizer, embora ganhasse um 2 salários com minha venda de jornais, eu não tinha o requisito primordial para fechar o negócio:
A carteira assinada!
Não passava pela minha cabeça [b]que eu estava na frente da "mãe do Jeitinho Brasileiro[/b]", entidade que tinha casas com prestação mensal de UM REAL! Perdi esta oportunidade, o que me levou à situação constrangedora acima citada. A venda de jornais me possibilitou conhecer as invasões da cidade nova 4, 5, 7, 8 e Arterial 5! Boa parte delas acompanhei-as quando surgiam, acreditando que não ficariam e estão todas lá, algumas até ampliadas.
Ficou precário morarmos os 3 na garagem, aí despachamos nossa mãe para nosso irmão melhor de situação e continuamos mais 15 dias, a contra-gosto de nosso benemérito. Deus mandou outro anjo na figura do Professor Robertão, que tinha uma casa no loteamento Tucano , e nos cedeu por mais 3 meses! (04/1989) Nessa época estava no governo o terror dos proprietarios de terrenos sem uso, e os invasores estavam com o demonio no corpo. A Cidade Nova inteira explodia em invasões diarias para alegria da corja e desgraça dos donos! Venceu os 3 meses e pedimos mais 3 mais como desgraça pouco é bobagem o otimo poço do nosso amigo ficava ums 4 metros abaixo da fossa do mesmo, na verdade um buraco de um metro a guisa de fossa, coberto apenas por uma tabua. O problema é que os proximos 3 meses seriam do estranhissimo "inverno" caracterizado por uma forte chuva á tarde!
A fossa não demorou a transbordar com as chuvas diarias, obrigando minha mãe a fazer pequena vala em direção a rua e a vala maior! Terreno com boa profundidade mas pequena largura deiaxava apenas um metro entre o poço e a casa. Aí minha mãe para não fazer os "marinheiros" fedorentos passarem rente a janela, fez a valeta passando ao lado do poço.
Não estávamos em casa e coincidiu de cair neste dia uma fortissima chuva que furou a lateral do poço, mergulhando uma boa dezena de "marinheiros" e contaminando para sempre o poço! Não havia como ficar muito tempo lá, não tinhamos dinheiro para mandar fazer outro poço, nem pagar agua mineral!Aguentamos firme enquanto pediamos socorro monetário urgente para nosso "pai"!
Mandou-nos 200 reais, com o qual compramos um lote limpo e cercado, numa invasão proxima que estava surgindo, (nome oficial Granja Carijó e nosso terreno ficava na Travessa São Pedro) com nosso amigo "Mestre" Abacate.(08/1989)
Que alivio, agora era só conseguir as tabuas e as telhas, mas para nós isso era de menos, ja tinhamos ficado sem casa antes, morando uns meses num shoping em construção no RJ, durante a enchente em 1966!
Nós "tranquilos" e Abacate apertando:
Voçes têm que entrar logo no terreno!
Mas o lote não é seu?
É, mas voçe sabe como é "invasão"!
Nós não sabiamos, aí optamos por cada um de nós ir torrar no sol diariamente, fingindo estar cuidando para evitar surpresa. Foi assim, indo diariamente e vendo-a crescer, ouvindo as histórias que posso escrever mais esta:
Acredite se puder!
Não demoramos a descobrir que "Mestre" Abacate tinha "ganho" o terreno, (não sei se limpo e cercado ou não) de um comerciante morando a uns 300 metros dali. Fui na baiuca dele comprar bolacha, só para ver se pela cara eu estaria correndo algum risco de vida!
Bateu o desespero, tinhamos que construir nossa "casa" com urgência, e, coisas do destino, estavam construindo uma delegacia na Cidade Nova 6 e havia caminhões de tábuas usadas que tinham servido de moldes para o cimento armado. Conseguimos um caminhão na Prefeitura de Ananindeua e com o dono da empresa construtora, tábuas, pernas-mancas e 2 sacos de cimento. Deus é pai, Jesus é filho, agora era só por mãos a obra, o telhado poderia ser de plástico mesmo, em último caso.
Meu irmão achou por bem selecionar antecipadamente as pernas-mancas e tábuas e deu de cara com um pseudo carpinteiro, Pedro Paulo, um dançarino que, tempos depois, pousou de Pôfessô de Kaspueira Argola numa Universidade daqui. Automaticamente pairou uma nuvem preta acima de nossas cabeças, deixamos por menos, fruto talvez de nossa Xenofobia latente.
Caminhão da Prefeitura no canteiro de obras, colocamos oque já estava separado e fomos em busca dos sacos de cimento! Disseram que no pedido do meu irmão não constava os sacos e mesmo que constasse não tinha! Por 3 x meu irmão procurou o dono até conseguir que a secretária levasse o recado: A falta do cimento e ouviu:
Caramba eu atendi seu pedido e ainda vens denegrir meus funcionários!
Mais uma etapa vencida, metemos mãos a obra e levantamos o barracão em 2 dias, sem prumo nem nada, só no olho. Partimos para conseguir o telhado, descobrimos que nosso jornal era feito com finissimas placas de aluminio e nos deram umas na empresa, compramos outras e finalizamos o sonho! Uns 2 dias depois fechou o tempo bacana, nuvens ameaçadoras, temporal de 1ª com vento de 60 km por hora no minimo. A ventania fez uma batucada porreta nas finas lâminas de aluminio chacoalhando-as mais que frutas no liquidificador, rasgando-as nos pregos que as fixavam, voando qual borboletas prateadas. Foi um belo banho de hora e meia, cuja solução posterior foi colocar pernas-mancas em cima para segurá-las, depois de pregá-las!

Barraco pronto e minha mãe e meu irmão!
Nossa invasão foi crescendo tranquilamente por ficar muito distante do asfalto, quase 1 km, mesmo morando um mais de 1 ano lá ainda tinha terrenos vagos. Como ficava até umas 18:00 lá para evitar o "sumiço" das tábuas no barraco ja pronto, vi o sujeito vítima desta história. Seu barraco ja ia quase pela metade, quando ele chegou para completá-lo estava só o esqueleto. Foi uma porrada ,mas ele não desistiu, vendeu a teve e a bicicleta, completou o barraco e foi buscar a familia no Amazonas. Quando ele saiu havia uns 50 metros mais a frente na mesma rua, uma "Dona" que fêz uma escolinha na sua casa para atender aos filhos dos invasores.
Ele voltou com a familia e sua casa tinha sido invadida e quem tinha autorizado era justamente a Pôfessôra. Não adiantou ele explicar que tinha vendido tudo no Amazonas, para ele morar ali tinha que desalojar uma outra família. Essa pôfessôra aprontou poucas e boas e nós fomos uma das vítimas.
Do outro lado da invasão, (é porque era separada pelos fios da Eletronorte, daí o "outro lado"
apareceu um pai Tomás, um negro forte de uns 70 anos que também tomou muitas casas dos outros. Do nosso lado apareceu um militar aposentado que aproveitando-se de seu filho bombeiro de apelido Louro na ativa, fêz um estrago (8 terrenos roubados) e ainda gaba-se das várias vítimas. Deu azar, chegou perto demais de nós, quis tomar o terreno atrás do nosso, de um comerciante que conheciamos.
Arriou cedinho uma carroça com areia e tijolo e começou a patifaria ou seja fazer a sapata, para posterior levantamento de um quarto. Corri no comércio da vitima, avisei-o e esperei ele chegar com a polícia e dar um corretivo naqueles 2 ordinários. Qual foi minha surpresa quando ele chegou com um caminhão também com cimento, areia e tijolo e pôs-se a fazer quase o mesmo que os outros vinham fazendo:
Um muro em volta do terreno!
Como os 2 patifes estavam com umas 3 horas de vantagem foi preciso o comerciante contratar mais um ajudante na feitura do muro. Findo o muro continuava o impasse: Os patifes "presos" dentro do terreno, querendo receber pelo que eles chamavam de benfeitoria e o comerciante negando, pois não contratara benfeitoria nenhuma! Como ninguém ia roubar muro de ninguém, já de noitinha os desafetos foram-se e eu tratei de ir no Corpo de Bombeiros tentar uma intervenção, pois um dos envolvidos o era. Dei sorte o Capitão da Corporação era Carioca e morava na Cidade Nova.
Fui lá e quase chorei contando como nós os cariocas estimavamos esta corporação, que não achava correto a atitude daquele bombeiro manchando a famosa reputação da entidade, etc,etc, e é a mais pura verdade! Saí de lá com a promessa de sua intervenção que de fato aconteceu, pois Louro não apareceu mais, ficando o Pai-tife sózinho! Quis diminuir o prejuizo levando os tijolos que tinham ficados "presos" com ele, mas o comerciante não deixou.
Eu dei graças a Deus pelo fim do drama, ja que desde o 1º dia o comerciante me mostrara um revolver e muita disposição em usa-lo. A agua nas invasões são outro problema, pois os terrenos divididos de forma mesquinha, 6x8 metros em média, obrigam a fazer um poço muito perto da fossa, ou seja:
Todo invasor bebe agua contaminada!
Apanhavamos agua numa senhora vizinha do lado esquerdo, negra linda e imponente, que vestia-se como se fosse tomar café na Granja do Governador.
Para se proteger do sol usava um chapéu de palha Panamá legitimo com o qual parecia a Rainha de Sabá! Como minha mãe tinha "alergia" a negros optamos por fazer nosso poço! Novamente a mão divina entrou em ação e foi uma verdadeira moleza fazer os primeiros 2 metros de profundidade, daí em diante foi melhor ainda, pois só encontramos areia branquinha e agua um metro depois. Jorrou com força, ficamos felizes e 4-5 horas depois ja tinhamos meio metro de agua no mesmo.
Mas alegria de pobre dura pouco e assim que jogavamos a lata de tirar agua, ela produzia ondas que batiam na parede arenosa cavando-a lentamente e ameaçando o futuro do poço. Mesmo assim durou alguns meses, depois tivemos que usar oque todos usavam uma cacimba a uns 500 metros de casa!
A cacimba era uma benção, uma lagoa de 2 metros de diamêtro e meio de profundidade era a alegria da molecada e dos marmanjos desocupados que se aboletavam em volta la em cima, vendo as mulheres "resfrescarem a perereca"!
Em volta da cacimba os últimas 5-6 arvoredos, salvo pela sanha de gafanhotos que todo invasor possui.
Pai Tomás indócil pois não conseguia há meses tomar nada de ninguém, teve a infeliz idéia de liquidar com aqueles arvoredos e colocar 3 barracos em volta da cacimba. Uma semana depois a cacimba tornara-se do tamanho de uma bacia, obrigando aos moradores a fazerem outro poço. Sem nada para fazer resolvemos explorar a invasão e descobrimos uma escola com quadra de esportes e tudo, abandonada! Atrás da mesma um pouco mais distante umas 30 a 50 Unidades Sanitárias novinhas, também desocupadas, estranhamente no meio do nada!
Denunciamos ao jornal que vendiamos e que tinha um suplemento semanal chamado Jornal dos Bairros, para o qual arrumamos inúmeras reportagens sobre coisas exóticas das Cidades Novas, além de revelar vários artistas populares. Dispensaram nossa "ajuda" quando acharam que estavavamos vendendo as reportagens de promoção dos valores da terra! Apartir daí o suplemento passou a ter só reportagens sobre ruas esburacadas e apelidamos de: Jornal do Barro!
Pouco tempo depois eliminaram-no.A reportagem do Jornal foi lá e denunciou a escola Celina del Teto vazia enquanto na invasão só tinha 2 "arapucas" á guisa de escola!
Leiam o paradoxo leitores:
Casas e escola vazias na invasão e invasores precisando das 2!
A nossa invasão que começou na Granja do Japônes ao lado da Granja do Governador, (os Japôneses tiveram nas Cidades Novas um bruto prejuízo com os invasores, já que aparentemente eram donos de quase 30% da cidade.) se extendeu acompanhando o fio da Eletronorte, por causa do Ali Barba que anunciou a futura Rodovia dos Trabalhadores e foi um salve-se quem puder dos donos de terrenos ao lado do fio! ( Se ele faz escreveria seu nome entre os maiores benfeitores da terra ao invés de....)
Os invasores são muito bem informados, quem é o dono e a situação fiscal perante o municipio dos terrenos a invadir. As alegações são sempre estas: Depósito de lixo, esconderijo de ladrões e estupradores e não ter aonde morar! Constatei nesses anos todos que entre o 3º e o 5º morador (só uns 20% dos primeiros invasores ficam na casa) é oque vai realmente morar, o resto é pé de meia!
Vi uma Unidade Sanitária com um mês de entregue na Cidade Nova 8, colocar uma placa de Vende-se, enquanto surgia na Cidade, duas imobiliarias com os sugestivos nomes de: Terra ...... e Casa .......!
Fato exótico aconteceu no canteiro de obras da Construtora Espírito Santo (que dizem ser do Sr. A.M.) na Cidade Nova 8, apareceu numa manhã um corpo de um jovem deitado de bruços, cujos pés tinham ficado ao estilo sací, totalmente virado para as costas. No acredito em bruxas, pero que los ai, ai!
Parece que foi praga do morto pois a obra que tinha uns 10 peões em poucos dias só ficaram 3:
Uma mulher e 2 homens, (sendo que um só tinha uma perna) fruto talvez também do péssimo preço pago aos peões, bem abaixo do mercado!
Já na invasão recebíamos indícios que não deveríamos ficar. A Vizinha do lado direito, que passou meses cuidando do seu terreno 2 x por dia, de manhã e a tarde, viu de um dia para o outro ser tomado pelo vizinho de frente, recém chegado. Descobri que um morador de nossa rua de nome Piauí tinha 7 terrenos, ( um pra cada filho com certeza) sem que a "Dona" da escola ou outra pessoa lhe tomasse nenhum. É facil a explicação, são os primeiros invasores que negociam vários terrenos, ficando meio que beneméritos desta comunidade, afinal correm o risco de serem presos caso ela não dê certo.
Para nos garantir-mos procuramos o dono do terreno desapropriado por Ali Barba de nome Rafael Anaisse para comprarmos a prazo nosso pedaço, e ele sentiu-se ofendido pensado ser piada de mau gosto!
Na Arterial 5 surgiu um novo Don Quixote na figura de um tal SalAzar distribuindo pedaços da mesma a quem quissesse. Com a presença da TV (Cultura
me empolguei, botei meu crachá de Super-Herói e condenei em altos brados aquela patifaria. Partiram pra cima de mim com facões e enxadas ameaçadoras e se não boto 10 no coelho e 20 no veado, passo sebo nas canelas, a câmera teria registrado mais um picadinho de mané. Mais tarde meu irmão procurando no Palácio pelo Coronel Gomes viu SalAzar "desfilando com desenvoltura" nos corredores do mesmo.
O 2º indicio foi uma epidemia de bicho de pé por culpa dos restos de carangueijo consumidos pela vizinha. O problema do bicho é que quando ele saí leva um "bife" de lembrança com ele, e minha mãe com quase 30 teve que tirar férias da invasão por um bom tempo! Desgraça pouca é bobagem, deu um revertério and locom tum na nossa vida e tivemos que passar bom tempo no pé e pescosço de galinha. Nessa época recebemos a fotógrafa Paula Sampaio do Jornal Liberal, que pêga de surPrêsa tomou um banho de chuva dentro do nosso barraco!
Com a mãe voltando fizemos ver ao nosso irmão melhor de vida que não tinhamos condições de evitar outras doenças nela e por isso ele comprou esta unidade sanitaria na Cidade Nova 6 em 1990 ampliou-a, murou e gradeou e meses depois entramos, embora uma "vistoria" da Cohabanos depois não tenha visto! Por termos morado mais de um ano na invasão achavamos que tinhamos imunidade para vender com tranquilidade nosso terreno sem invasão.
Lêdo engano, na 1ª oportunidade a "Dona" da escola meteu a coisa mais feia da cidade, com o sugestivo nome de Bela, dentro de nosso barraco. Quando chegamos de manhã e vimos uma cama e colchão novinhos, colocamos para fora, aí "apareceu" Bela e os defensores, mas a patifa "Dona" não teve coragem de vir. No bate-boca acalorado um senhor acompanhado de uma criança de uns 6 anos, deu o mote que titula esta:
Terreno é igual filho, quem tem um não tem nenhum!
Pra encurtar acordamos com aquele monumento a feiura que daríamos um terreno com o barraco dentro. E assim fizemos enquanto ela assistia e ainda exigia isso e aquilo, nós eramos comidos vivos pelas formigas para cumprir o acordo. Uns meses depois descobri aonde Bela (morava)estava morando:
Na rua da delegacia (WE 79) na casa de um conhecido meu!.
Vendemos o terreno a preço de banana e fechamos pra balanço. Viemos morar na Cidade Nova 6, WE 82 casa 942 fazendo a mudança em 2 bicicletas amarradas, pois não tinhámos dinheiro para o carreto. Mal cheguei a ex-vizinha do 941, Cleide me recebeu com estas palavras de boas-vindas:
"Voçe não presta, porque veio morar na Minha Rua!"
Eu já "gato escaldado" pelas pessoas do sítio e invasão, optei por não me relacionar com mais ninguém da rua, aí foi pior. Hoje digo sem medo:
"A rua que vai para o Inferno começa aqui na WE 82 nº 922!"
Estamos abrindo agora nesta luta inglória pra achar alguém que consiga arrancar os 5 recibosdesta exótica Companhia de Habitação do Estado do Pará!
Nem tanto ao mar, nem tanto a terra!
Expressão antiga que diz:
Devemos criticar, mas também elogiar se merecido!
Este comportamento politicamente incorreto da Cohab-Pará, se hoje me prejudica, no passado já me ajudou! Briga interna na família resultou em que ninguém pagava mais a casa. Correu o ano de 1999 inteiro as prestações chegando e nada. A mão Divina entrou em ação e na cidade dos come-dorme alguém emitiu a MP.... !
Possivelmente um pastor pegou carona no milagre e estendeu a benesse para os contratos até 1993, privilegiando os agraciados com apenas 7 anos de pagamento! Convém lembrar aos leitores que em 22 anos de luta aqui, não ganhamos nenhuma. Brigamos contra O Liberal, Centur, Teatro Waldemar Henrique, Correio, Cohab e quase todos os Centros comunitários das Cidades Novas! Nestas duas de agora, Correio e Cohab, (de novo
Estamos tentando a meses receber em casa os recibos, (tentamos com o Ministro da Habitação e Assessoria da Governadora Ana Júlia Carepa) sem sucesso embora tenhamos várias provas que nossa inadimplência é forçada, ainda estamos perdendo!
Até quando?
Dia 20-11-2008 recebemos da Cohab através das mãos do Sr Antônio Lira os 5 recibos no valor de 410,00 reais pagavel em 8 dias, via Email com um ligeiro aumento de mais 70,00 reais por conta do "atraso"! Vale a pena repetir estas palavras do recibo:
>>> COHAB / Pa. POLÍTICA DA QUALIDADE. ISO - 9001 : 2000. <<<
"PRODUZIR HABITAÇÃO COM QUALIDADE A CUSTOS REDUZIDOS, VISANDO A SATISFAÇÃO CONTÍNUA DO CLIENTE". A COHAB é o Órgão responsável pela execução da política habitacional do Governo. Graça ao desenvolvimento deste trabalho foi possível beneficiar milhares de famílias com LOTES e CASAS. COHAB HÁ 40 ANOS REALIZANDO O SONHO DA CASA PRÓPRIA.
( MANTENHA EM DIA SUA PRESTAÇÃO)
Devemos pagar esse Aumento? Hoje 28-11-2008 pagamos pela covardia de ministros, assessores da governadora e funcionários corruptos, 70,00 reais a mais de juros por "atraso no pagamento" embora tenhamos implorado por meses esses recibos para pagar!
Para facilitar a decisão:
Fomos buscar o 1º recibo (2ª via) no dia 24-05-2006 (maio) e a 1ª via (avisaram o Correio
chegou no mesmo dia!
No 2º mês (Junho) buscamos a 2ª via dia 30-06-2006 e a 1ª nunca veio!
3º e 4º mês (Julho-Agôsto) as Primeiras Vias vieram depois dos dias 20-25!
5º mês (setembro) não veio e não fomos buscar.
6º mês, (outubro) fomos no dia 10-10 buscar a 2ª via de setembro e recebemos aautomaticamente a 2ªvia de outubro embora ainda estivessemos no mês!
A 1ª via de setembro chegou em 19-10 (Outubro) ou seja fora do prazo de pagamento na épocaque era até 5 dias após o vencimento!
A 1ª via de outubro só chegou no dia[b] 03-11-2006! Apartir deste mês deu-se 60 dias após o vencimento[/b]!Após contato com o Sr Antonio Maria no dia 10-10-2007 conseguimos "arrancar" 3 recibos que chegaram as 14:00 do dia 24-10-2007. Detalhe, um deles vinha com a data de emissão do dia 25-10-2007 pagavel no mesmo dia! Quem me garante que a Cohab não entregou para voçes (Correio) no dia 11-10 ou 15-10 ou 20-10 e voçes "seguraram" conforme pode-se suspeitar pelas entregas acima citadas!
Uma lição aprendi com os invasores e o pessoal da Cohab:
Elês estão com a Lei ao seu lado, pois se a Lei não os combate, por omissão os apóia!
É claro que voçe leitor poderá dizer a seu filho ou neto:
"Criança não verás um País como este!", mas corres o risco de seres chamado de Hipócrita!
Todos somos iguais perante a lei, queridos!
PS: Jesus morreu em vão, em certos países as pessoas conseguem viver tranquilamente sem Dignidade!
Para minha verdade só existe uma réplica: A Mentira!
O barraco ainda por terminar e minha mãe, a direita a fossa do futuro "banheiro", a esquerda o belo e limpo "terreno da Vizinha"!
Assim que chegamos na Cidade Nova 6, na WE 61 casa 511 em agosto de 1986, tratamos de procurar a Cohab - Companhia de Habitação do Pará conforme nos fôra instruído pela Profa. Livramento da cidade de Vigia, parente do então deputado Domingos Juvenil.
Com um bilhete dela, meu irmão procurou em 1987 na COHAB seu marido (ou cunhado) João Nunes, que o remeteu para o comitê eleitoral do citado político. Esforço em vão, a casa ficou só na promessa. Após essa 1ª derrota e já inscrito (Nº 59.102 -09/10 /1986) na dita cuja Companhia optamos por tentar conseguir um terreno na mesma, pensando ser muito mais fácil e barato!
Catalogamos uma boa dezena de "pontas de quadra" ao lado das casas feitas, (havia/há também dezenas de casas abandonadas) e partimos pra luta. Fomos recebidos na Cohab por Regina Carepa (e Lucilene Farinha do Departamento de Projetos) do Departamento de Urbanismo que, de boa vontade, nos abriram um mapa para que localizássemos os terrenos pretendidos, pois não saiam da Cohab. Foram várias visitas à Estatal -- com 5 a 10 novos espaços apresentados a cada ida -- todos negados e nesta altura do campeonato, elas já estavam de "perereca cheia" e nós achando que tinhamos entrado no estabelecimento errado. Um dos terrenos ela nos ofereceu, seria no futuro bairro PAAR, até aquele momento apenas com as ruas feitas, postes de luz e, isolado no meio da imensidão, o espaço coberto da futura Feira do PAAR. O pagamento seria (caso aceitássemos) em 12 prestações sendo -- hipotéticamente falando -- a 1ª de 100 reais, a 2ª de 300,00, a 3ª de 500,00 e assim sucessivamente.
Calculamos que na 5ª prestação estaríamos andando pelados, pois esta probosta só quem pagava era comerciante, nenhum assalariado conseguiria! (protocolo nº 1865/90 de 12/12/1990)
Continuamos a encheção de saco e de repente surge um milagre:
Da. Regina Carepa dera através destes 2 pobres coitados sem QI nem Sobrenome -- 2 requisitos importantíssimos para se conseguir algo aqui -- um Mapa com 40 (repito) 40 pontas de terrenos ou áreas verdes, no dizer dela, para a Prefeitura de Ananindeua!
Foi marcada a entrega do mapa e, quando falamos com o prefeito, ele bateu com o punho na mesa e disse ao Secretário de Obras da PMA, João Luís Tavares:--
"Vá lá e dê um pedaço de terra pros rapazes, nem que seja na Arterial 18!
(A avenida mais importante do nosso bairro Cidade Nova,)
Marcado o dia e hora da entrega, nós um pouco pessimistas pois o destino nós pregara varias peças na vida, chegamos primeiro e pouco depois chegava o dito cujo Sectário de "Obras", indo direto para a sala de D. Regina Carepa. Pouco depois entrou na nossa sala, mal sentou "armou" um bate-bôca, disse que ia conversar com gente civilizada e saiu, deixando-nos boquiabertos.
Ih agora? pensamos.
Tinhamos ido lá apenas repassar o mapa para ele escolhendo uma, eu disse uma das 40 áreas conseguidas!
Meu irmão procurou o Prefeito e relatou o ocorrido, mas ele fez ouvido de mercador e assim.......
Tempos depois passando pela tal Arterial 18, vejo Da. Regina Carepa ladeada por 2 senhores, um deles era/é o funcionário da Prefeitura e apontador/contador de cargas dos caminhões de lixo particulares que trabalham para a mesma, e o outro era/é o invasor de um terreno ao lado do hoje supermercado Portugal. Cheguei a tempo de ouvi-la falando:
Voçe não pode ficar aqui pois esta area ja foi negociada!
Não só ficou como esta lá até hoje e se candidata junto com o Piauí, ( está na área da Caixa Econômica Federal e pasmem, ja recebeu o título da terra em menos de 10 anos pela Prefeitura Municipal (
Na We 61-511 a felicidade bateu 2 x na minha porta, fui atender na porta da frente, mas era na de trás, por isso a perdi. Moravamos nesta época aonde é hoje o Shoping Japonês e a 1ª oportunidade deu-se com a casa do vizinho ao lado, um jovem de 16-18 anos, que morava sózinho numa Unidade Sanitária, espécie de "casa" de 3,5 metros de comprimento por 7,5 de largura, com 2 portas e uma janela, divida em quarto e cozinha separados por um banheiro, sem rebôco interno nem externo e uma mão de cal á guisa de pintura.(Acredito que 80% das casas construídas pela Cohab aqui nas Cidades Novas foram Unidades Sanitárias!) O filho se meteu com más companhias e a mãe, temendo o pior, vendeu a "casa" a preço de casca de banana, provavelmente para o Supermercado Pioneiro, ao lado da mesma!
Mais tarde ela (a felicidade) bateu de novo, desta vez na porta da frente!
Estávamos morando na Cidade Nova 6, depois de termos abandonado nosso sítio no interior do munícipio da Vigia - Pará, por termos brigado com vizinhos, tentando fazer a divisão do terreno, mas deixamos uma coisa boa lá: Um mapa com alguns vizinhos que poderão brigar com o demônio que lá habitava e que foi a causa de nossa fuga! Estávamos na WE 61-511 tranquilamente pagando um irrisório aluguel a um amigo de nosso irmão -- este "amigo" acabou ficando com nosso sítio de 110 metros de largura por 3 km de comprimetro, depois de fazer um muro em volta da casa do sítio.
Foi a "compra" mais barata do mundo --quando de repente chega o dono querendo vender a casa em até 3 x, a um preço muito bom para nós pois ele morava no Maranhão e não podia vir sempre a Belém. Consultamos nosso irmão, que mandou "enrolá-lo", possivelmente tentando baixar mais o preço. Não achamos correto mas, como erámos dependentes dele, acatamos.
Uns 3 meses depois lá vem o mesmo Sr, mas agora vem muito nervoso, possivelmente por já saber através do "amigo" do meu irmão e responsável pelos aluguéis, que nosso irmão ainda não tinha decidido comprar e, se ele quissesse despejar-nos, teria de esperar mais 6 meses, conforme manda a Lei, pra propriedade particular é claro!
Voltou para o Maranhão, não sem antes xingar toda a nossa geração!
Aquilo deixou-nos muito chateados pois temos uma formação Católica rígida, aonde o que é seu é, e o que não é, não é! Sabíamos que ele voltaria em breve e preparamos uma surprêsa para ambos:
Êle e nosso irmão!
Poucos dias depois voltou e ficou uma boa meia hora na baiúca em frente de nossa casa conversando com o vendedor e possivelmente "descascando a mandioca" na nossa família!
Aí veio, e veio com a língua afiada:
"Voçes são isso, voçes são aquilo"... e nós só ouvindo, eu, meu irmão e minha mãe.
Aí, ele fêz uma pergunta que nunca esperaríamos:
Quanto voçes querem para sair?
Nós, que já sabíamos que não era correto ficar empatando a vida/venda de ninguém, tinhamos feito contato com o Sr Wilson Camacho, para ficar por 3 meses na garagem aonde ele dava aulas de inglês e respondemos:
Nada! O Sr só paga o frete e nós saimos daqui (era meio-dia) umas 3 horas!
Às 15/16 horas entregamos as chaves ao provável dono, pois nunca pedimos nenhum documento e nos mandamos para mais uma "aventura" na nossa vida! (12/12/1988) O local era uma garagem ampla com apenas um balcão em forma de L sem banheiro, janela e água. Havia uma torneira no corredor externo razoavelmente escondida dos transeuntes da rua aonde tomávamos banho.
As necessidades fisiológicas faziamos atrás do balcão, num pinico e depois de devidamente ensacada, era "guardada" atrás da casa á espera do dia da recolha do lixo. Como a garagem era nossa moradia, de dia mantinhamos a porta corrediça apenas um metro aberta, para evitar que os pedetres bisbilhotassem nossa insólita moradia. As noites eram temidas pois qualquer necessidade feita, era mesmo que uma bomba de efeito moral na garagem sem janela ou no popular:
Uma "engasga gato"!
Bem antes de chegarmos a isto a felicidade tornou a bater, desta vez na janela, estava dormindo e quando abri já era tarde. Vendia uma quantidade imensa de jornais dominicais, que me obrigavam a retornar ao distribuidor para buscar a segunda parte, quando ía já estava a um quilometro do mesmo.
Aí, bolei uma coisa que tinha visto no RJ, que a Companhia Telefônica tem uns buracos na calçada com um tampão de ferro, aonde tem seus terminais telefônicos. Porque o distribuidor de jornal não deixava meus 120 jornais num local como esse? Nesta época eu pensava que a Cohab era a dona da Cidade Nova, tamanha a quantidade de casas que tinha aqui.
Então falei de meu plano para a Empresa de jornais que deve ter falado com a Cohab, pois recebi um convite para falar com D. Rosa, na sede Cidade Nova 4 da mesma. É claro que o pateta aqui não imaginava ser possivel se ter uma casa do Sistema Financeiro da Caixa sem os 2 salários mínimos no minimo, aliás sem ter nenhum salário!
Quando ela me perguntou oque eu queria fiquei sem saber oque dizer, embora ganhasse um 2 salários com minha venda de jornais, eu não tinha o requisito primordial para fechar o negócio:
A carteira assinada!
Não passava pela minha cabeça [b]que eu estava na frente da "mãe do Jeitinho Brasileiro[/b]", entidade que tinha casas com prestação mensal de UM REAL! Perdi esta oportunidade, o que me levou à situação constrangedora acima citada. A venda de jornais me possibilitou conhecer as invasões da cidade nova 4, 5, 7, 8 e Arterial 5! Boa parte delas acompanhei-as quando surgiam, acreditando que não ficariam e estão todas lá, algumas até ampliadas.
Ficou precário morarmos os 3 na garagem, aí despachamos nossa mãe para nosso irmão melhor de situação e continuamos mais 15 dias, a contra-gosto de nosso benemérito. Deus mandou outro anjo na figura do Professor Robertão, que tinha uma casa no loteamento Tucano , e nos cedeu por mais 3 meses! (04/1989) Nessa época estava no governo o terror dos proprietarios de terrenos sem uso, e os invasores estavam com o demonio no corpo. A Cidade Nova inteira explodia em invasões diarias para alegria da corja e desgraça dos donos! Venceu os 3 meses e pedimos mais 3 mais como desgraça pouco é bobagem o otimo poço do nosso amigo ficava ums 4 metros abaixo da fossa do mesmo, na verdade um buraco de um metro a guisa de fossa, coberto apenas por uma tabua. O problema é que os proximos 3 meses seriam do estranhissimo "inverno" caracterizado por uma forte chuva á tarde!
A fossa não demorou a transbordar com as chuvas diarias, obrigando minha mãe a fazer pequena vala em direção a rua e a vala maior! Terreno com boa profundidade mas pequena largura deiaxava apenas um metro entre o poço e a casa. Aí minha mãe para não fazer os "marinheiros" fedorentos passarem rente a janela, fez a valeta passando ao lado do poço.
Não estávamos em casa e coincidiu de cair neste dia uma fortissima chuva que furou a lateral do poço, mergulhando uma boa dezena de "marinheiros" e contaminando para sempre o poço! Não havia como ficar muito tempo lá, não tinhamos dinheiro para mandar fazer outro poço, nem pagar agua mineral!Aguentamos firme enquanto pediamos socorro monetário urgente para nosso "pai"!
Mandou-nos 200 reais, com o qual compramos um lote limpo e cercado, numa invasão proxima que estava surgindo, (nome oficial Granja Carijó e nosso terreno ficava na Travessa São Pedro) com nosso amigo "Mestre" Abacate.(08/1989)
Que alivio, agora era só conseguir as tabuas e as telhas, mas para nós isso era de menos, ja tinhamos ficado sem casa antes, morando uns meses num shoping em construção no RJ, durante a enchente em 1966!
Nós "tranquilos" e Abacate apertando:
Voçes têm que entrar logo no terreno!
Mas o lote não é seu?
É, mas voçe sabe como é "invasão"!
Nós não sabiamos, aí optamos por cada um de nós ir torrar no sol diariamente, fingindo estar cuidando para evitar surpresa. Foi assim, indo diariamente e vendo-a crescer, ouvindo as histórias que posso escrever mais esta:
Acredite se puder!
Não demoramos a descobrir que "Mestre" Abacate tinha "ganho" o terreno, (não sei se limpo e cercado ou não) de um comerciante morando a uns 300 metros dali. Fui na baiuca dele comprar bolacha, só para ver se pela cara eu estaria correndo algum risco de vida!
Bateu o desespero, tinhamos que construir nossa "casa" com urgência, e, coisas do destino, estavam construindo uma delegacia na Cidade Nova 6 e havia caminhões de tábuas usadas que tinham servido de moldes para o cimento armado. Conseguimos um caminhão na Prefeitura de Ananindeua e com o dono da empresa construtora, tábuas, pernas-mancas e 2 sacos de cimento. Deus é pai, Jesus é filho, agora era só por mãos a obra, o telhado poderia ser de plástico mesmo, em último caso.
Meu irmão achou por bem selecionar antecipadamente as pernas-mancas e tábuas e deu de cara com um pseudo carpinteiro, Pedro Paulo, um dançarino que, tempos depois, pousou de Pôfessô de Kaspueira Argola numa Universidade daqui. Automaticamente pairou uma nuvem preta acima de nossas cabeças, deixamos por menos, fruto talvez de nossa Xenofobia latente.
Caminhão da Prefeitura no canteiro de obras, colocamos oque já estava separado e fomos em busca dos sacos de cimento! Disseram que no pedido do meu irmão não constava os sacos e mesmo que constasse não tinha! Por 3 x meu irmão procurou o dono até conseguir que a secretária levasse o recado: A falta do cimento e ouviu:
Caramba eu atendi seu pedido e ainda vens denegrir meus funcionários!
Mais uma etapa vencida, metemos mãos a obra e levantamos o barracão em 2 dias, sem prumo nem nada, só no olho. Partimos para conseguir o telhado, descobrimos que nosso jornal era feito com finissimas placas de aluminio e nos deram umas na empresa, compramos outras e finalizamos o sonho! Uns 2 dias depois fechou o tempo bacana, nuvens ameaçadoras, temporal de 1ª com vento de 60 km por hora no minimo. A ventania fez uma batucada porreta nas finas lâminas de aluminio chacoalhando-as mais que frutas no liquidificador, rasgando-as nos pregos que as fixavam, voando qual borboletas prateadas. Foi um belo banho de hora e meia, cuja solução posterior foi colocar pernas-mancas em cima para segurá-las, depois de pregá-las!
Barraco pronto e minha mãe e meu irmão!
Nossa invasão foi crescendo tranquilamente por ficar muito distante do asfalto, quase 1 km, mesmo morando um mais de 1 ano lá ainda tinha terrenos vagos. Como ficava até umas 18:00 lá para evitar o "sumiço" das tábuas no barraco ja pronto, vi o sujeito vítima desta história. Seu barraco ja ia quase pela metade, quando ele chegou para completá-lo estava só o esqueleto. Foi uma porrada ,mas ele não desistiu, vendeu a teve e a bicicleta, completou o barraco e foi buscar a familia no Amazonas. Quando ele saiu havia uns 50 metros mais a frente na mesma rua, uma "Dona" que fêz uma escolinha na sua casa para atender aos filhos dos invasores.
Ele voltou com a familia e sua casa tinha sido invadida e quem tinha autorizado era justamente a Pôfessôra. Não adiantou ele explicar que tinha vendido tudo no Amazonas, para ele morar ali tinha que desalojar uma outra família. Essa pôfessôra aprontou poucas e boas e nós fomos uma das vítimas.
Do outro lado da invasão, (é porque era separada pelos fios da Eletronorte, daí o "outro lado"
Arriou cedinho uma carroça com areia e tijolo e começou a patifaria ou seja fazer a sapata, para posterior levantamento de um quarto. Corri no comércio da vitima, avisei-o e esperei ele chegar com a polícia e dar um corretivo naqueles 2 ordinários. Qual foi minha surpresa quando ele chegou com um caminhão também com cimento, areia e tijolo e pôs-se a fazer quase o mesmo que os outros vinham fazendo:
Um muro em volta do terreno!
Como os 2 patifes estavam com umas 3 horas de vantagem foi preciso o comerciante contratar mais um ajudante na feitura do muro. Findo o muro continuava o impasse: Os patifes "presos" dentro do terreno, querendo receber pelo que eles chamavam de benfeitoria e o comerciante negando, pois não contratara benfeitoria nenhuma! Como ninguém ia roubar muro de ninguém, já de noitinha os desafetos foram-se e eu tratei de ir no Corpo de Bombeiros tentar uma intervenção, pois um dos envolvidos o era. Dei sorte o Capitão da Corporação era Carioca e morava na Cidade Nova.
Fui lá e quase chorei contando como nós os cariocas estimavamos esta corporação, que não achava correto a atitude daquele bombeiro manchando a famosa reputação da entidade, etc,etc, e é a mais pura verdade! Saí de lá com a promessa de sua intervenção que de fato aconteceu, pois Louro não apareceu mais, ficando o Pai-tife sózinho! Quis diminuir o prejuizo levando os tijolos que tinham ficados "presos" com ele, mas o comerciante não deixou.
Eu dei graças a Deus pelo fim do drama, ja que desde o 1º dia o comerciante me mostrara um revolver e muita disposição em usa-lo. A agua nas invasões são outro problema, pois os terrenos divididos de forma mesquinha, 6x8 metros em média, obrigam a fazer um poço muito perto da fossa, ou seja:
Todo invasor bebe agua contaminada!
Apanhavamos agua numa senhora vizinha do lado esquerdo, negra linda e imponente, que vestia-se como se fosse tomar café na Granja do Governador.
Para se proteger do sol usava um chapéu de palha Panamá legitimo com o qual parecia a Rainha de Sabá! Como minha mãe tinha "alergia" a negros optamos por fazer nosso poço! Novamente a mão divina entrou em ação e foi uma verdadeira moleza fazer os primeiros 2 metros de profundidade, daí em diante foi melhor ainda, pois só encontramos areia branquinha e agua um metro depois. Jorrou com força, ficamos felizes e 4-5 horas depois ja tinhamos meio metro de agua no mesmo.
Mas alegria de pobre dura pouco e assim que jogavamos a lata de tirar agua, ela produzia ondas que batiam na parede arenosa cavando-a lentamente e ameaçando o futuro do poço. Mesmo assim durou alguns meses, depois tivemos que usar oque todos usavam uma cacimba a uns 500 metros de casa!
A cacimba era uma benção, uma lagoa de 2 metros de diamêtro e meio de profundidade era a alegria da molecada e dos marmanjos desocupados que se aboletavam em volta la em cima, vendo as mulheres "resfrescarem a perereca"!
Em volta da cacimba os últimas 5-6 arvoredos, salvo pela sanha de gafanhotos que todo invasor possui.
Pai Tomás indócil pois não conseguia há meses tomar nada de ninguém, teve a infeliz idéia de liquidar com aqueles arvoredos e colocar 3 barracos em volta da cacimba. Uma semana depois a cacimba tornara-se do tamanho de uma bacia, obrigando aos moradores a fazerem outro poço. Sem nada para fazer resolvemos explorar a invasão e descobrimos uma escola com quadra de esportes e tudo, abandonada! Atrás da mesma um pouco mais distante umas 30 a 50 Unidades Sanitárias novinhas, também desocupadas, estranhamente no meio do nada!
Denunciamos ao jornal que vendiamos e que tinha um suplemento semanal chamado Jornal dos Bairros, para o qual arrumamos inúmeras reportagens sobre coisas exóticas das Cidades Novas, além de revelar vários artistas populares. Dispensaram nossa "ajuda" quando acharam que estavavamos vendendo as reportagens de promoção dos valores da terra! Apartir daí o suplemento passou a ter só reportagens sobre ruas esburacadas e apelidamos de: Jornal do Barro!
Pouco tempo depois eliminaram-no.A reportagem do Jornal foi lá e denunciou a escola Celina del Teto vazia enquanto na invasão só tinha 2 "arapucas" á guisa de escola!
Leiam o paradoxo leitores:
Casas e escola vazias na invasão e invasores precisando das 2!
A nossa invasão que começou na Granja do Japônes ao lado da Granja do Governador, (os Japôneses tiveram nas Cidades Novas um bruto prejuízo com os invasores, já que aparentemente eram donos de quase 30% da cidade.) se extendeu acompanhando o fio da Eletronorte, por causa do Ali Barba que anunciou a futura Rodovia dos Trabalhadores e foi um salve-se quem puder dos donos de terrenos ao lado do fio! ( Se ele faz escreveria seu nome entre os maiores benfeitores da terra ao invés de....)
Os invasores são muito bem informados, quem é o dono e a situação fiscal perante o municipio dos terrenos a invadir. As alegações são sempre estas: Depósito de lixo, esconderijo de ladrões e estupradores e não ter aonde morar! Constatei nesses anos todos que entre o 3º e o 5º morador (só uns 20% dos primeiros invasores ficam na casa) é oque vai realmente morar, o resto é pé de meia!
Vi uma Unidade Sanitária com um mês de entregue na Cidade Nova 8, colocar uma placa de Vende-se, enquanto surgia na Cidade, duas imobiliarias com os sugestivos nomes de: Terra ...... e Casa .......!
Fato exótico aconteceu no canteiro de obras da Construtora Espírito Santo (que dizem ser do Sr. A.M.) na Cidade Nova 8, apareceu numa manhã um corpo de um jovem deitado de bruços, cujos pés tinham ficado ao estilo sací, totalmente virado para as costas. No acredito em bruxas, pero que los ai, ai!
Parece que foi praga do morto pois a obra que tinha uns 10 peões em poucos dias só ficaram 3:
Uma mulher e 2 homens, (sendo que um só tinha uma perna) fruto talvez também do péssimo preço pago aos peões, bem abaixo do mercado!
Já na invasão recebíamos indícios que não deveríamos ficar. A Vizinha do lado direito, que passou meses cuidando do seu terreno 2 x por dia, de manhã e a tarde, viu de um dia para o outro ser tomado pelo vizinho de frente, recém chegado. Descobri que um morador de nossa rua de nome Piauí tinha 7 terrenos, ( um pra cada filho com certeza) sem que a "Dona" da escola ou outra pessoa lhe tomasse nenhum. É facil a explicação, são os primeiros invasores que negociam vários terrenos, ficando meio que beneméritos desta comunidade, afinal correm o risco de serem presos caso ela não dê certo.
Para nos garantir-mos procuramos o dono do terreno desapropriado por Ali Barba de nome Rafael Anaisse para comprarmos a prazo nosso pedaço, e ele sentiu-se ofendido pensado ser piada de mau gosto!
Na Arterial 5 surgiu um novo Don Quixote na figura de um tal SalAzar distribuindo pedaços da mesma a quem quissesse. Com a presença da TV (Cultura
O 2º indicio foi uma epidemia de bicho de pé por culpa dos restos de carangueijo consumidos pela vizinha. O problema do bicho é que quando ele saí leva um "bife" de lembrança com ele, e minha mãe com quase 30 teve que tirar férias da invasão por um bom tempo! Desgraça pouca é bobagem, deu um revertério and locom tum na nossa vida e tivemos que passar bom tempo no pé e pescosço de galinha. Nessa época recebemos a fotógrafa Paula Sampaio do Jornal Liberal, que pêga de surPrêsa tomou um banho de chuva dentro do nosso barraco!
Com a mãe voltando fizemos ver ao nosso irmão melhor de vida que não tinhamos condições de evitar outras doenças nela e por isso ele comprou esta unidade sanitaria na Cidade Nova 6 em 1990 ampliou-a, murou e gradeou e meses depois entramos, embora uma "vistoria" da Cohabanos depois não tenha visto! Por termos morado mais de um ano na invasão achavamos que tinhamos imunidade para vender com tranquilidade nosso terreno sem invasão.
Lêdo engano, na 1ª oportunidade a "Dona" da escola meteu a coisa mais feia da cidade, com o sugestivo nome de Bela, dentro de nosso barraco. Quando chegamos de manhã e vimos uma cama e colchão novinhos, colocamos para fora, aí "apareceu" Bela e os defensores, mas a patifa "Dona" não teve coragem de vir. No bate-boca acalorado um senhor acompanhado de uma criança de uns 6 anos, deu o mote que titula esta:
Terreno é igual filho, quem tem um não tem nenhum!
Pra encurtar acordamos com aquele monumento a feiura que daríamos um terreno com o barraco dentro. E assim fizemos enquanto ela assistia e ainda exigia isso e aquilo, nós eramos comidos vivos pelas formigas para cumprir o acordo. Uns meses depois descobri aonde Bela (morava)estava morando:
Na rua da delegacia (WE 79) na casa de um conhecido meu!.
Vendemos o terreno a preço de banana e fechamos pra balanço. Viemos morar na Cidade Nova 6, WE 82 casa 942 fazendo a mudança em 2 bicicletas amarradas, pois não tinhámos dinheiro para o carreto. Mal cheguei a ex-vizinha do 941, Cleide me recebeu com estas palavras de boas-vindas:
"Voçe não presta, porque veio morar na Minha Rua!"
Eu já "gato escaldado" pelas pessoas do sítio e invasão, optei por não me relacionar com mais ninguém da rua, aí foi pior. Hoje digo sem medo:
"A rua que vai para o Inferno começa aqui na WE 82 nº 922!"
Estamos abrindo agora nesta luta inglória pra achar alguém que consiga arrancar os 5 recibosdesta exótica Companhia de Habitação do Estado do Pará!
Nem tanto ao mar, nem tanto a terra!
Expressão antiga que diz:
Devemos criticar, mas também elogiar se merecido!
Este comportamento politicamente incorreto da Cohab-Pará, se hoje me prejudica, no passado já me ajudou! Briga interna na família resultou em que ninguém pagava mais a casa. Correu o ano de 1999 inteiro as prestações chegando e nada. A mão Divina entrou em ação e na cidade dos come-dorme alguém emitiu a MP.... !
Possivelmente um pastor pegou carona no milagre e estendeu a benesse para os contratos até 1993, privilegiando os agraciados com apenas 7 anos de pagamento! Convém lembrar aos leitores que em 22 anos de luta aqui, não ganhamos nenhuma. Brigamos contra O Liberal, Centur, Teatro Waldemar Henrique, Correio, Cohab e quase todos os Centros comunitários das Cidades Novas! Nestas duas de agora, Correio e Cohab, (de novo
Até quando?
Dia 20-11-2008 recebemos da Cohab através das mãos do Sr Antônio Lira os 5 recibos no valor de 410,00 reais pagavel em 8 dias, via Email com um ligeiro aumento de mais 70,00 reais por conta do "atraso"! Vale a pena repetir estas palavras do recibo:
>>> COHAB / Pa. POLÍTICA DA QUALIDADE. ISO - 9001 : 2000. <<<
"PRODUZIR HABITAÇÃO COM QUALIDADE A CUSTOS REDUZIDOS, VISANDO A SATISFAÇÃO CONTÍNUA DO CLIENTE". A COHAB é o Órgão responsável pela execução da política habitacional do Governo. Graça ao desenvolvimento deste trabalho foi possível beneficiar milhares de famílias com LOTES e CASAS. COHAB HÁ 40 ANOS REALIZANDO O SONHO DA CASA PRÓPRIA.
( MANTENHA EM DIA SUA PRESTAÇÃO)
Devemos pagar esse Aumento? Hoje 28-11-2008 pagamos pela covardia de ministros, assessores da governadora e funcionários corruptos, 70,00 reais a mais de juros por "atraso no pagamento" embora tenhamos implorado por meses esses recibos para pagar!
Para facilitar a decisão:
Fomos buscar o 1º recibo (2ª via) no dia 24-05-2006 (maio) e a 1ª via (avisaram o Correio
No 2º mês (Junho) buscamos a 2ª via dia 30-06-2006 e a 1ª nunca veio!
3º e 4º mês (Julho-Agôsto) as Primeiras Vias vieram depois dos dias 20-25!
5º mês (setembro) não veio e não fomos buscar.
6º mês, (outubro) fomos no dia 10-10 buscar a 2ª via de setembro e recebemos aautomaticamente a 2ªvia de outubro embora ainda estivessemos no mês!
A 1ª via de setembro chegou em 19-10 (Outubro) ou seja fora do prazo de pagamento na épocaque era até 5 dias após o vencimento!
A 1ª via de outubro só chegou no dia[b] 03-11-2006! Apartir deste mês deu-se 60 dias após o vencimento[/b]!Após contato com o Sr Antonio Maria no dia 10-10-2007 conseguimos "arrancar" 3 recibos que chegaram as 14:00 do dia 24-10-2007. Detalhe, um deles vinha com a data de emissão do dia 25-10-2007 pagavel no mesmo dia! Quem me garante que a Cohab não entregou para voçes (Correio) no dia 11-10 ou 15-10 ou 20-10 e voçes "seguraram" conforme pode-se suspeitar pelas entregas acima citadas!
Uma lição aprendi com os invasores e o pessoal da Cohab:
Elês estão com a Lei ao seu lado, pois se a Lei não os combate, por omissão os apóia!
É claro que voçe leitor poderá dizer a seu filho ou neto:
"Criança não verás um País como este!", mas corres o risco de seres chamado de Hipócrita!
Todos somos iguais perante a lei, queridos!
PS: Jesus morreu em vão, em certos países as pessoas conseguem viver tranquilamente sem Dignidade!
Para minha verdade só existe uma réplica: A Mentira!
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